A Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada no bioma pantaneiro, destaca o Brasil como protagonista nas discussões sobre preservação ambiental. Sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, o evento foca em espécies que atravessam fronteiras, demandando ações conjuntas internacionais para sua sobrevivência.
Iniciativas para proteção internacional de espécies
Na COP15, um dos principais debates é a inclusão de novas espécies nos Apêndices da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres. O Apêndice I lista espécies ameaçadas de extinção, exigindo medidas rigorosas de conservação, enquanto o Apêndice II abrange animais que necessitam de cooperação internacional para sobreviver.
O Brasil, com propostas técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, busca incluir espécies como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado, cujas populações estão em declínio, no Apêndice I.
Aves migratórias em destaque
O Brasil apresentou propostas significativas para aves migratórias, incluindo espécies limícolas e marinhas. A inclusão do caboclinho-do-pantanal no Apêndice II é uma das propostas, destacando a necessidade de proteção de espécies que habitam áreas úmidas da América do Sul.
Propostas multiespécies também foram apresentadas para petréis-das-tormentas, aves marinhas que vivem em mar aberto.
Proteção de espécies aquáticas
Espécies aquáticas de água doce e marinhas, como o pintado e tubarões-martelo, estão em pauta. A inclusão dessas espécies nos Apêndices visa garantir estratégias de gestão coordenadas devido às suas migrações entre diferentes países.
Propostas para a conservação de tubarões e pequenos cetáceos do Atlântico Sul também são discutidas, destacando a importância de ações concertadas para espécies como o tubarão-mangona e o boto-de-Lahille.
Desafios para espécies terrestres
Entre as espécies terrestres, a ariranha e a onça-pintada são foco de debates. A ariranha, já contemplada por planos de ação nacionais, enfrenta desafios de manejo e conflitos em áreas de pesca compartilhadas. Já a onça-pintada, listada nos Apêndices I e II desde 2020, continua sendo tema de discussão para a atualização de estratégias de conservação.
As propostas buscam fortalecer a conectividade entre habitats e promover a coexistência entre humanos e grandes carnívoros.
Importância da cooperação internacional
A conferência destaca a necessidade de cooperação internacional para o monitoramento e conservação das espécies. A troca de experiências entre países é essencial para desenvolver estratégias eficazes de proteção, como ressaltado por especialistas do ICMBio.
Com a adoção de planos de ação internacionais, busca-se garantir a preservação de espécies que realizam migrações significativas, como os bagres amazônicos, essenciais para a biodiversidade e economia local.
Fonte: bemparana.com.br