Reajuste para cúpula da PM no ES: deputado alerta para abismo salarial na corporação
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) tornou-se palco de um intenso debate sobre a valorização da segurança pública nesta semana. O deputado estadual Callegari (DC) manifestou forte oposição ao Projeto de Lei 202/2026, enviado pelo Governo do Estado, que prevê um reajuste salarial direcionado exclusivamente aos oficiais de alto escalão da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, como coronéis, tenentes-coronéis e majores. A proposta tem gerado controvérsia por, segundo críticos, aprofundar a desigualdade entre os diferentes níveis hierárquicos das corporações militares.
A discussão central gira em torno da abrangência do benefício, que alcançaria uma parcela mínima do efetivo total. Enquanto o governo justifica a medida como uma correção histórica, a base da tropa e representantes legislativos questionam a falta de uma política de valorização mais equitativa, que contemple todos os policiais e bombeiros que atuam diariamente na linha de frente da segurança pública.
Proposta de reajuste e o abismo salarial na PM
O Projeto de Lei 202/2026, de autoria do Executivo, busca a equiparação salarial entre os coronéis da Polícia Militar e os delegados especiais da Polícia Civil. Essa iniciativa, embora reconheça a importância dos oficiais de comando, foi duramente criticada pelo deputado Callegari, que alertou para o “abismo salarial” que a medida pode criar e intensificar dentro das corporações militares.
De acordo com os dados apresentados durante o debate na Ales, o projeto beneficia diretamente cerca de 200 oficiais, um número que representa apenas 1,5% do efetivo total de 13 mil policiais e bombeiros. A exclusividade do reajuste tem sido o principal ponto de discórdia, levantando questões sobre a justiça e a equidade na distribuição de recursos para a segurança pública.
Críticas à exclusividade e o impacto na tropa
A manifestação de Callegari ressaltou a preocupação com a moral da tropa e a eficácia das ações de segurança. O deputado argumentou que a criminalidade tende a aumentar quando o governo não cumpre sua parte na valorização dos profissionais. “A criminalidade aumenta quando o governo não faz a sua parte, principalmente quando não valoriza a tropa que está cansada de esperar por ganho real”, disparou o parlamentar, evidenciando a insatisfação generalizada.
A medida é vista como injusta com aqueles que estão na “ponta” do serviço policial, os praças e outros oficiais de menor patente, como tenentes e capitães, que seguem sem uma proposta de recomposição salarial que acompanhe a inflação. Callegari reiterou seu posicionamento, afirmando: “Embora reconheça o mérito dos oficiais, não posso apoiar uma medida que aprofunda a desigualdade entre o topo e a base da carreira policial”.
Apelo por uma valorização abrangente e justa
Diante da controvérsia, o deputado Callegari solicitou formalmente que o governo retire o projeto atual e apresente uma nova proposta que contemple todos os policiais militares de forma proporcional e justa. O objetivo é evitar a criação de hostilidade entre os diferentes níveis hierárquicos e garantir que a valorização da segurança pública seja um esforço coletivo e inclusivo.
“Pedimos que o governo apresente uma solução que evite criar hostilidade entre os diferentes níveis hierárquicos”, defendeu Callegari, reforçando que o reconhecimento do trabalho dos praças, que formam a sustentação operacional nas ruas, é fundamental. Enquanto o governo defende a medida como uma forma de corrigir distorções históricas, a pressão interna nas unidades da PMES tende a crescer com a tramitação da matéria. Para mais informações sobre o processo legislativo, consulte o site da Assembleia Legislativa.