Davi Nascimento Explora Memórias e Perdas no Livro ‘Aluvião’
O artista visual e pesquisador Davi Nascimento apresenta 'Aluvião', seu primeiro livro, que reúne escritos influenciados pela presença do Rio São Francisco, memórias familiares e experiências de perda. Nascido em Pirapora, Minas Gerais, Davi constrói uma narrativa marcada pela ligação com o território barranqueiro, utilizando fotografias herdadas de seu bisavô e uma pesquisa artística que entrelaça imagem, palavra, instalação e arquivo.
O Nascimento de 'Aluvião'
Davi Nascimento explica que 'Aluvião' remete ao que resta após uma enchente, capturando galhos, pedras e fragmentos de vidas. O livro emergiu de textos poéticos acumulados ao longo do tempo, transformados em legendas de Instagram, títulos de trabalhos e anotações soltas, até formarem um corpo coeso.
A motivação para criar o livro também foi uma homenagem à sua mãe, falecida em 2013, vítima de afogamento. O Rio São Francisco, portanto, permeia toda a obra, dedicando-se à memória materna.
Memória Pessoal e Coletiva
Para Davi, o rio representa não apenas uma memória pessoal, mas também uma história coletiva. Sua família sempre esteve intimamente ligada ao São Francisco, com o pai sendo pescador e marceneiro, e a mãe colaborando nas pescarias. As viagens rio adentro proporcionaram uma vivência única, longe da urbanidade.
Tal experiência mescla memórias, territórios, corpos e perdas, refletindo uma história coletiva dos barranqueiros. 'Aluvião' captura essa diversidade de histórias e pertencimentos.
Arquivo Fotográfico Familiar
O acervo fotográfico do livro tem origem no bisavô de Davi, João das Queimadas, um vaporeiro que registrou momentos históricos, como a enchente de 1979 em Pirapora. Essas imagens documentam o impacto do rio na cidade e sua evolução.
Davi sempre zelou por esse acervo familiar e, com a Bolsa ZUM do IMS, expandiu sua pesquisa para incluir acervos barranqueiros mais amplos, englobando a comunidade inteira. A fotografia, sendo um recurso caro, ganha especial importância para famílias negras e de baixa renda que encontraram maneiras de documentar suas histórias.
A Conexão com Pirapora e o Norte de Minas
A obra de Davi Nascimento está enraizada em Pirapora e no Norte de Minas, uma conexão profunda e inevitável. Ele reconhece que, sem esses elementos, seu trabalho simplesmente não existiria. É de onde vêm suas inspirações e sobre o que deseja falar.
Desde jovem, Davi sabia que seguiria a carreira artística, ainda que inicialmente não visse possibilidades além de desenho e pintura. Ao mudar-se para Belo Horizonte, ele descobriu novas formas de expressão, como performance e instalação, ampliando seu horizonte artístico.
O Lançamento de 'Aluvião'
O lançamento de 'Aluvião' está em sintonia com a trajetória visual de Davi, sendo uma extensão de sua investigação artística em outra linguagem. A obra será acompanhada de exposições e circulará por diversos espaços, mas sua origem é um gesto íntimo de preservação do que persiste após a enchente.
Em essência, 'Aluvião' representa um ato de cuidado com as memórias e histórias que resistem ao tempo, consolidando-se como um tributo à vida e às raízes de Davi Nascimento.