Saúde em Maceió: população enfrenta desafios para exames e atendimento apesar de mais consultas no SUS
A capital alagoana, Maceió, tem demonstrado um avanço notável na oferta de consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos. No entanto, essa expansão quantitativa não tem sido acompanhada pela infraestrutura necessária para garantir um atendimento completo e eficaz à população, especialmente no que tange à realização de exames e à fluidez dos agendamentos.
Dados recentes do Datasus revelam um crescimento expressivo nos procedimentos clínicos realizados pela gestão municipal, com um aumento de 60% na última década. O número saltou de 1,2 milhão em 2015 para uma projeção de 1,97 milhão em 2025, indicando um esforço em ampliar o acesso inicial à saúde. Contudo, a realidade vivenciada pelos cidadãos aponta para uma série de gargalos que comprometem a qualidade e a continuidade do cuidado.
Expansão de Consultas e o Descompasso na Saúde Maceió
Apesar do crescimento na oferta de consultas, a população de Maceió tem se deparado com obstáculos significativos para obter um atendimento de saúde adequado. A ampliação dos procedimentos clínicos, que registrou mais de 1,85 milhão de atendimentos em 2024 e quase 2 milhões em 2025, coincide com a implementação de novos programas de atenção básica e equipamentos públicos de saúde.
Essa expansão, contudo, não foi acompanhada por uma capacidade equivalente na realização de exames, etapa crucial para o diagnóstico preciso e o tratamento eficaz. A disparidade entre a facilidade de acesso à consulta e a dificuldade em prosseguir com as etapas seguintes do tratamento gera frustração e atrasos no cuidado.
Gargalos no Agendamento e Falta de Insumos Essenciais
A investigação jornalística apurou que o Laboratório de Análises Clínicas de Maceió (Laclim), uma estrutura vital para o diagnóstico, opera com deficiências. Desde novembro, o laboratório não realiza exames hormonais e de vitaminas devido à falta de insumos, impactando diretamente pacientes que necessitam desses procedimentos específicos.
Adicionalmente, o sistema de agendamento Pronto, disponibilizado via WhatsApp, apresenta congestionamentos frequentes. Em tentativas de agendamento, usuários foram informados sobre a indisponibilidade temporária do serviço devido ao alto volume de demandas. Mesmo dentro do horário de atendimento, o canal pode encerrar a tentativa sem permitir o avanço do processo, limitando o acesso a marcações que, teoricamente, deveriam ser facilitadas pela tecnologia.
Filas e Limitação de Acesso nas Unidades Básicas
A dificuldade de acesso não se restringe aos canais digitais. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a realidade impõe desafios adicionais. Na UBS do José Tenório, por exemplo, a marcação de consultas é restrita às 15 primeiras pessoas que chegam, forçando os usuários a madrugar na porta da unidade para tentar garantir atendimento.
Similarmente, na UBS João Macário, no bairro Santos Dumão, o atendimento era limitado aos pacientes que já estivessem na fila até as 13h, com relatos de mais de duas horas de espera. Essas práticas contradizem as diretrizes de um sistema de saúde que busca universalidade e equidade, criando barreiras para quem mais precisa.
Resposta da Secretaria e Medidas em Andamento
A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) reconhece os problemas enfrentados, atribuindo a situação ao aumento significativo da demanda. A pasta afirma que não houve interrupção nos serviços de marcação, mas admite que o crescimento das solicitações pode gerar instabilidades e maior tempo de espera para os usuários.
Em relação às limitações de atendimento nas UBS, a secretaria negou a adoção de fluxos que envolvam distribuição de fichas numéricas ou limitação prévia, mencionando apenas listas nominais para organização. No entanto, a reportagem constatou a prática de restrição em unidades visitadas. A SMS também informou que o Laclim enfrenta “ajustes pontuais no fornecimento de insumos” para exames hormonais, mas garantiu que os demais exames seguem normalmente. A secretaria assegurou que medidas estão em andamento para ampliar a capacidade de atendimento, com previsão de normalização progressiva nos próximos dias, embora sem apresentar prazos ou detalhes específicos sobre as ações. O município conta com 31 laboratórios conveniados ao SUS, além da estrutura própria, e o direcionamento dos exames segue critérios técnicos.
Para mais informações sobre dados de saúde pública, consulte o DATASUS.