A partir desta segunda-feira, 23 de outubro, os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro iniciaram a distribuição da nova vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) é responsável pela logística de entrega das 33.364 doses recebidas, sendo que 12.500 delas estão destinadas à capital.
Público Inicial da Vacinação
Seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde, as primeiras doses do imunizante serão direcionadas a profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso inclui não apenas médicos e enfermeiros, mas também técnicos, auxiliares de enfermagem, odontólogos e membros de equipes multiprofissionais, como nutricionistas e psicólogos. A SES-RJ também contempla trabalhadores administrativos e agentes comunitários de saúde.
Especificações da Vacina
O gerente de Imunização da SES-RJ, Keli Magno, esclareceu que a vacina do Butantan é aprovada para uso em pessoas de 12 a 59 anos. Enquanto a vacina de outro laboratório é recomendada para a faixa etária de 10 a 14 anos, a nova vacina será disponibilizada para aqueles com idades entre 15 e 59 anos. A aplicação será progressiva, começando pelos profissionais de saúde e, posteriormente, envolvendo outros grupos.
Aspectos da Vacinação e Situação Epidemiológica
A estratégia de vacinação levará em conta a situação epidemiológica de cada município e a disponibilidade de doses. A vacina, que é aplicada em dose única, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Atualmente, os sorotipos 1 e 2 estão mais presentes no estado, mas a SES-RJ expressa preocupação com a possibilidade de surgimento do tipo 3, que não circula no estado desde 2007.
Prevenção e Monitoramento
Apesar dos números atuais de dengue estarem baixos, a SES-RJ enfatiza a importância da prevenção, especialmente após o período de Carnaval. As chuvas intensas antes da festividade, combinadas com o calor do verão, criam um ambiente propício para a reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika. Além disso, o aumento na movimentação de turistas pode intensificar o risco de transmissão.
Dados de Casos e Monitoramento da Doença
Até o dia 20 de outubro, foram registrados 1.198 casos prováveis de dengue no estado, com 56 internações e sem óbitos confirmados. Os dados também indicam 41 casos prováveis de chikungunya e 5 internações, enquanto não há registros de zika. O acompanhamento da dengue é realizado por meio de um indicador que analisa atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e solicitações de leitos.
Ações de Prevenção Pessoal
Em relação à prevenção individual, a SES-RJ recomenda que cada cidadão dedique pelo menos dez minutos por semana para inspecionar suas residências e eliminar possíveis focos de reprodução do mosquito. Isso inclui verificar a vedação de caixas d'água, limpar calhas, colocar areia em pratos de plantas e descartar a água de bandejas de geladeiras.
Vacinação Anterior e Novos Desdobramentos
Em 2023, o Ministério da Saúde também começou a fornecer a vacina Qdenga, de origem japonesa, e até o momento mais de 758 mil doses foram aplicadas no estado. Do público-alvo de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil finalizaram o esquema vacinal com a segunda dose.
Conclusão
A introdução da nova vacina contra a dengue no Rio de Janeiro representa um passo importante na luta contra a doença. Com uma estratégia de vacinação bem definida e ações de prevenção em andamento, as autoridades de saúde esperam controlar a propagação do vírus e proteger a população, principalmente em um cenário epidemiológico que, embora atual seja favorável, exige vigilância constante.