Bancos centrais se preparam para inflação provocada pela guerra no Oriente Médio
Destaques:
- Bancos centrais adotam políticas monetárias mais apertadas
- Guerra no Oriente Médio eleva preços de energia
- Risco crescente de estagflação preocupa economistas
Os bancos centrais afirmaram que estão prontos para enfrentar um aumento na inflação com uma política monetária mais rigorosa, especialmente após a recente escalada da guerra no Oriente Médio, que impactou a infraestrutura de energia da região e elevou os preços dos combustíveis.
Em uma reunião inédita, os bancos centrais dos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá e da zona do euro, conhecidos como G7, se reuniram esta semana, juntamente com bancos de várias economias emergentes. Essa coordenação reflete a preocupação global com a inflação, exacerbada pela invasão russa na Ucrânia e agora pela instabilidade no Oriente Médio.
Após críticas sobre a lentidão em suas respostas à inflação pós-Covid, as autoridades monetárias estão determinadas a controlar os preços sem comprometer o crescimento econômico, evitando assim a temida estagflação, que combina recessão e aumento de preços.
Decisões recentes dos bancos centrais
Na quarta-feira, o Federal Reserve e o Banco do Canadá decidiram manter as taxas de juros, acompanhados na quinta-feira pelo Banco do Japão, Banco da Inglaterra e Banco Central Europeu. Apesar de manterem as taxas, os bancos deixaram claro que estão em alerta, preocupados com a possibilidade de que o aumento dos preços da energia possa desencadear uma inflação generalizada.
O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, destacou que a política monetária não pode reverter os choques de fornecimento de energia, mas deve responder ao risco de um efeito persistente sobre a inflação ao consumidor no Reino Unido. Após a decisão, as expectativas de aumento das taxas de juros até o final do ano aumentaram.
Impactos da guerra no Oriente Médio
A escalada da guerra no Oriente Médio, com ataques iranianos a infraestruturas de gás, levanta preocupações sobre danos de longo prazo ao fornecimento de energia global. O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que, embora os preços mais altos da energia possam aumentar a inflação geral, ainda é cedo para avaliar o impacto total sobre a economia.
Em Tóquio, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, indicou que um aumento nas taxas de juros pode ser considerado se os efeitos do aumento dos custos do petróleo forem temporários. Já o presidente do Banco do Canadá, Tiff Macklem, enfatizou que não permitirão que os efeitos dos altos preços da energia se tornem uma inflação persistente.
Risco crescente de estagflação
O banco central da Austrália elevou as taxas de juros, alertando sobre um risco relevante para a inflação devido ao aumento do preço do petróleo. O Banco Central brasileiro, por sua vez, optou por um corte cauteloso na Selic, refletindo a incerteza sobre os impactos da guerra na economia.
Na Europa, tanto o Banco Nacional da Suíça quanto o Riksbank da Suécia mantiveram suas taxas, sinalizando a incerteza sobre como a guerra afetará suas economias. Com a situação em constante evolução, os bancos centrais permanecem vigilantes, prontos para agir conforme necessário.
Fonte: cnnbrasil.com.br