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A Mixtape ‘Só Podia Ser Mulher’: Uma Nova Voz no Rap Nordestino

A Mixtape ‘Só Podia Ser Mulher’: Uma Nova Voz no Rap Nordestino

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Neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a rapper pernambucana Bione apresenta sua mais recente mixtape, intitulada "Só Podia Ser Mulher". Este projeto, que reúne sete faixas autorais, chega às plataformas de streaming acompanhado de um material audiovisual que será lançado no canal da artista no YouTube.

Narrativas Femininas nas Periferias

Natural da Zona Oeste do Recife, Bione utiliza sua música como um meio para compartilhar as vivências e os desafios enfrentados por mulheres que moldam suas trajetórias nas periferias do Nordeste. "Só Podia Ser Mulher" é o terceiro trabalho da artista lançado sob o selo pernambucano Aqualtune, uma produtora que se destaca por seu foco no fortalecimento da cultura hip hop independente, composta por mulheres negras.

Desafiando a Visibilidade no Rap

A faixa de abertura, "Rap de Mina", provoca reflexão ao questionar diretamente o público: "Quantos rappers você segue do Nordeste?". Originalmente concebida como uma poesia, a música rapidamente se tornou um fenômeno nas redes sociais, destacando a falta de visibilidade para artistas femininas no universo do rap e evidenciando a persistente desigualdade de gênero na cena musical.

Um Manifesto de Empoderamento

Para Bione, essa mixtape surge como um manifesto que celebra a presença feminina no hip hop. "A desigualdade de gênero é uma realidade escancarada no país, especialmente no rap. Contudo, hoje já existem mulheres sendo mais ouvidas por um público que valoriza o empoderamento feminino", afirma a artista.

Reapropriando Expressões Machistas

O título da mixtape reinterpreta uma expressão historicamente utilizada de forma pejorativa para desmerecer as mulheres. Bione transforma essa frase em uma ironia e uma afirmação política, buscando fortalecer um movimento já existente no Brasil: o de mulheres que não se permitem mais ser apagadas. "Escolhi o nome do projeto para dar voz a um movimento que já está em curso", explica.

Reflexões e Homenagens

Entre as músicas do projeto, "Tem que ser Simples" se destaca como uma das faixas mais dançantes, incorporando influências do afro house. A canção que dá nome à mixtape homenageia cantoras negras que abriram caminhos na música brasileira, como Karol Conká, Bia Ferreira e Jéssica Caetano, enquanto percorre diferentes bairros da Zona Oeste do Recife.

Desafios do Rap Independente

Para Bione, criar rap independente a partir do Nordeste ainda é um desafio, especialmente para quem vem das periferias. "Fazer parte do movimento hip hop dentro de uma produtora independente em Pernambuco é complicado, mas seguimos acreditando no nosso processo e mostrando que é possível produzir rap de qualidade em nosso lugar de origem", ressalta.

Temas de Amor e Afeto

A mixtape também aborda o amor, especialmente na faixa "Só te aproveitando", que se destaca como a única música romântica do projeto, expressando um afeto genuíno entre mulheres.

A Trajetória de Bione

Com oito anos de carreira, Bione já lançou a mixtape "Sai da Frente", o álbum visual "EGO" e o livro de poesia "Furtiva", publicado pela editora Castanha Mecânica. Com seu novo trabalho, a artista reafirma sua identidade e expande o protagonismo feminino no rap nordestino.

Reconhecimento e Parcerias

Lenne Ferreira, que gerencia a carreira da rapper, destaca que o projeto simboliza o fortalecimento de uma nova geração de artistas da cultura negra. "Bione é uma jovem intelectual da cultura nordestina que merece ser ouvida em todo o país pela sua criatividade e posicionamento", afirma. A mixtape também conta com colaborações do selo Hood Cave, e a capa do projeto foi criada pelo designer pernambucano Amokachi, com fotografias de Eduarda Pavoa.

Conclusão

A mixtape "Só Podia Ser Mulher" não é apenas um lançamento musical, mas uma poderosa declaração de identidade e resistência. Bione, por meio de sua arte, não só desafia os estereótipos de gênero, mas também abre espaço para novas vozes no rap nordestino, reafirmando a importância da representatividade e do empoderamento feminino na música.

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