Investigação na Maternidade Cândido Mariano após Falecimento de Bebês Durante Partos
A Maternidade Cândido Mariano, localizada em Campo Grande, está sob investigação da 76ª Promotoria de Justiça após denúncias relacionadas a mortes de bebês durante partos. A unidade, que é responsável por aproximadamente 60% dos nascimentos no município, enfrenta sérias acusações de negligência médica e falta de atendimento apropriado, que agora será minuciosamente apurada.
Início da Investigação
A investigação foi iniciada a partir de uma denúncia recebida pela ouvidoria do Ministério Público, que relatou a morte de um recém-nascido durante o parto em outubro de 2025. A situação foi inicialmente tratada como uma Notícia de Fato, mas a apuração se expandiu após a identificação de outros óbitos recentes, além de relatos de violência obstétrica e um dossiê que trazia à tona diversas situações preocupantes relacionadas à assistência prestada na maternidade.
Demandas do Ministério Público
Em busca de esclarecer os fatos, o Ministério Público requisitou informações detalhadas à Maternidade Cândido Mariano e à Secretaria Municipal de Saúde. Os dados solicitados incluem protocolos de atendimento, notificações aos sistemas de vigilância de saúde, além de informações sobre a atuação dos comitês responsáveis pela prevenção de mortalidade materna e infantil. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul também foi acionado para fornecer informações sobre sindicâncias relacionadas a óbitos e denúncias de violência obstétrica.
O Caso de Cláudia Batista
Um dos casos que motivaram a investigação envolve Cláudia Batista, de 32 anos, que foi internada em 15 de outubro de 2025, com o parto ocorrendo cerca de 20 horas depois. A avó do bebê, Miriam de Souza, relatou que o médico envolveu o pai na força do parto de maneira excessiva, o que culminou na expulsão do recém-nascido sem sinais vitais. As tentativas de reanimação foram realizadas por cerca de 40 minutos, mas não tiveram sucesso.
Repercussão e Resposta da Maternidade
Após a morte do bebê, que recebeu o nome de Ravi, a família não recebeu suporte emocional da maternidade. O corpo foi enviado ao Instituto Médico Legal após os procedimentos legais. Em nota, a maternidade afirmou que não havia indícios de falhas no atendimento, embora afirmasse que a situação seria investigada. A instituição alegou que Cláudia passou por acompanhamento contínuo e que o parto envolveu a ocorrência de distócia de ombro, uma complicação obstétrica.
Objetivos da Investigação
O objetivo da investigação é reunir informações que permitam avaliar a qualidade do serviço prestado pela maternidade e identificar possíveis falhas que tenham contribuído para os óbitos. O Ministério Público pode, a partir das conclusões, adotar medidas como recomendações, termos de ajustamento de conduta ou até mesmo ações civis públicas. A situação destaca a importância de uma assistência obstétrica adequada e humanizada, conforme preconizado pela Política Nacional de Humanização.
Conclusão
A investigação da Maternidade Cândido Mariano é um passo crucial para a análise da assistência obstétrica em Campo Grande. Com um histórico de partos em uma unidade que atende a uma grande parte da população, é fundamental que a qualidade do atendimento médico seja garantida, assegurando a segurança e o bem-estar tanto das mães quanto dos recém-nascidos. O desfecho dessa investigação poderá ter implicações significativas para a prática obstétrica na região.