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Bahia Acelera Rede de Proteção e Prioriza Cuidado a Crianças Vítimas da Violência Doméstica

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A Casa da Mulher Brasileira (CMB) em Salvador foi palco, nesta quinta-feira (19), de uma visita técnica estratégica do Ministério das Mulheres, através da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O encontro teve como foco principal aprimorar a rede de serviços dedicados às vítimas de violência doméstica, com uma atenção especial e inovadora voltada para as crianças que acompanham suas mães durante o atendimento, reconhecendo o impacto direto da violência em suas vidas.

Aprimorando o Cuidado e a Proteção Infantil

Esta iniciativa ganha particular relevância ao considerar a realidade das periferias, onde a violência doméstica não apenas afeta diretamente as mulheres, mas também insere crianças em um ciclo traumático desde cedo. A discussão central propõe aprimorar e expandir o suporte infantil dentro das unidades da CMB, visando criar ambientes mais seguros, educativos e propícios ao desenvolvimento dessas crianças. A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Neusa Cadore, sublinhou a importância de integrar as crianças nesse processo para efetivamente quebrar a reprodução da violência, transformando o atendimento em uma rede de cuidado familiar abrangente.

Para concretizar essa visão, a Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, representada por Maura Souza, está desenvolvendo um diagnóstico detalhado sobre o atendimento pediátrico nas unidades existentes. A partir dessa análise, será implementado um projeto piloto focado na intervenção e melhoria das brinquedotecas, que incluirá a requalificação da infraestrutura, a capacitação especializada das equipes e o fortalecimento de uma proteção integral tanto para as mães quanto para seus filhos.

Desafios do Cotidiano e o Alcance da Informação

A coordenadora estadual da CMB, Ana Clara Auto, aproveitou a visita para expor os desafios inerentes ao acolhimento diário, enfatizando que as crianças presentes são, igualmente, vítimas da violência. O intercâmbio técnico revelou-se crucial para refinar as metodologias de atendimento e consolidar os serviços oferecidos.

Durante o encontro, também foram examinadas as ações preventivas e de atendimento realizadas no período do Carnaval. As tendas “Oxe, me respeite” registraram 203 atendimentos a mulheres em busca de informações sobre os serviços da Casa da Mulher Brasileira. Esse número ressalta a necessidade imperativa de intensificar a divulgação e o acesso aos direitos, particularmente nas comunidades de favelas, onde a carência de informação muitas vezes impede que as vítimas busquem ajuda.

Expansão da Rede e Transformação Social na Bahia

A Casa da Mulher Brasileira em Salvador já opera de forma contínua, 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo uma gama completa de serviços multidisciplinares para mulheres em situação de violência. Sua estrutura integra, em um único local, Ministério Público, Defensoria Pública, Delegacia Especializada, Justiça, policiamento dedicado, além de acolhimento psicossocial e abrigamento temporário, configurando um modelo de atendimento abrangente. A inspiração para este modelo, o projeto Ciudad Mujer, foi trazida ao debate pela presença de sua fundadora, Vanda Pignato.

Demonstrando um compromisso com a capilaridade da proteção, o governo baiano anunciou a implantação de três novas unidades da CMB no interior do estado: em Itabuna, Irecê e Feira de Santana. Essa expansão visa estender a rede de apoio a mulheres que residem em áreas remotas, onde as barreiras de acesso aos serviços públicos são historicamente maiores, garantindo que mais vítimas possam romper o ciclo de violência.

O fortalecimento dessa política pública transcende o mero investimento em infraestrutura; ele representa uma possibilidade real de transformação social. Para as mulheres das periferias, significa acesso concreto ao apoio institucional, acolhimento e proteção não apenas para si, mas também para seus filhos e filhas. Ao estender o cuidado às crianças, a iniciativa deixa de ser apenas uma resposta emergencial e se consolida como um poderoso instrumento para construir um futuro livre de violência, interrompendo um ciclo que, de outra forma, poderia se perpetuar por gerações.

Fonte: https://www.anf.org.br

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